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voltarNos dez anos da morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, rua da FDV será rebatizada com seu nome
Segunda-feira, 11 de Março de 2013
Gandini homenageia mártir do combate ao crime organizado no ES
Na manhã do dia 24 de março de 2003, o juiz Alexandre Martins de Castro Filho entrava na academia de ginástica que frequentava em Itapoã, Vila Velha, a poucos metros da praia ensolarada. Mas a manhã de sol luminoso logo se converteria em um dos mais tenebrosos dias da recente história política do Espírito Santo. Com tiros a queima-roupa, disparados por um motociclista, o crime organizado instaurado no estado executava naquele mesmo instante um dos seus mais combativos, corajosos e notórios oponentes, momento que acabaria se tornando um marco da virada política do Espírito Santo.
No próximo dia 24, o assassinato do juiz Alexandre Martins completa 10 anos, ocasião mais do que oportuna para homenagear aquele que, para os capixabas, viria a se tornar um mártir da luta contra a impunidade e o crime de colarinho branco. Com esse entendimento, a Câmara Municipal de Vitória aprovou, na sessão da última quinta-feira (07), projeto de lei de autoria do presidente da Casa, Fabrício Gandini (PPS), que rebatiza com o nome do juiz a rua da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), no trecho compreendido entre a Reta da Penha e a Avenida Leitão da Silva, no bairro Santa Lúcia.
Dez anos após o crime, os executores já foram julgados e cumprem pena de vinte anos de prisão. Os intermediários cumprem pena em regime semiaberto. Os acusados de serem mentores do crime aguardam julgamento em liberdade.
BIOGRAFIA
Alexandre Martins de Castro Filho nasceu em 12 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro. Graduou-se e fez mestrado em Direito na Universidade Gama Filho, também no Rio.
Em 1995, iniciou seu magistério em cursos de pós-graduação no Espírito Santo, para onde se mudou, definitivamente, em 1998, ao ser nomeado juiz de Direito do Espírito Santo, exonerando-se do cargo de delegado de Polícia, que exercia desde 1997.
Com uma postura firme e ética, atuou destacadamente na Vara de Execuções Penais do Município de Vitória. Desempenhando com lisura e comprometimento suas funções, impulsionou as investigações sobre o crime organizado no Espírito Santo, motivado pela descoberta de um esquema que envolvia condenados por crimes hediondos e a altas penas, que saíam dos presídios para assaltar e matar, a mando e com a cobertura de quem deveria fiscalizá-los.
Em 2000, ingressou no corpo docente da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), onde se destacou por seu carisma, experiência e capacidade de ensinar, despertando o carinho e admiração de alunos, professores e funcionários da instituição.
A brilhante carreira do juiz e professor Alexandre Martins de Castro Filho foi violentamente interrompida em 24 de março de 2003. O seu assassinato chocou e revoltou a população, alcançou repercussão nacional e provocou uma série de manifestações.
CONTEXTO
Quando o juiz Alexandre Martins de Castro Filho lançou-se às investigações sobre o crime organizado, o Espírito Santo vivia um momento político extremamente conturbado.
No âmbito do Executivo, o governo de José Ignácio Ferreira (1999-2002) chegava a seu ocaso, eivado de suspeitas de corrupção e desvio do dinheiro público, como o caso da fábrica de sopas e o do pagamento de dívidas de campanha com recursos supostamente desviados do Fundap, segundo denúncia do Ministério Público Federal.
Nesse cenário de crise institucional, o crime de mando encontrou solo fértil para se fortalecer no estado, o que levou instituições como a OAB-ES e o Conselho Estadual dos Direitos Humanos, reunidas no Fórum “Reage Espírito Santo”, a pedir ao governo de Fernando Henrique Cardoso intervenção federal no Espírito Santo, em 2001. O pedido foi arquivado, mas, em julho 2002, instalou-se no estado a missão federal especialmente criada para investigar as ações do crime organizado e da qual fazia parte o juiz Alexandre Martins de Castro Filho.
Autor: Vitor Vogas
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